Entrevista ao Árbitro Paulo Fidalgo

Paulo Fidalgo é árbitro nacional de 2ª categoria e apesar da sua juventude é um árbitro já com larga experiência, visto ter-se dedicado a esta área da nossa modalidade desde cedo, contabilizando a primeira inscrição pela Associação de Basquetebol de Aveiro na época 1994/95.paulo fidalgo

Depois de já termos realizado entrevistas a vários jogadores e treinadores, chegou agora a vez de conhecer outros agentes da modalidade, sem os quais não era possível existir basquetebol. Eles também são importantes na formação e evolução do panorama nacional do basquetebol, uma vez que somos de opinião que um árbitro também faz parte integrante da evolução de um jogador de formação. Um árbitro pode (e deve) ajudar na aprendizagem do jovem, contribuindo para o desempenho da sua função em campo, com informação que faça o jovem evoluir e aprender mais sobre o jogo.

Assim, passamos a uma pequena entrevista a Paulo Fidalgo, ao qual desde já agradecemos a “coragem” de falar sobre a sua função, que só é lembrada quando é mal desempenhada.

Como surgiu a entrada na arbitragem, principalmente em jovem quando o normal é seguir a opção de jogar?

Apesar de estar integrado como jogador no clube da terra, apercebi-me desde cedo que teria mais futuro na arbitragem do que como jogador. Comecei por arbitrar os jogos para os quais não haviam nomeado árbitros e mais tarde surgiu-me o convite para tirar o curso.

Quais foram até agora os melhores e os piores momentos da carreira?

Bem, começando pela parte positiva. Melhores momentos, já tive alguns, tais como o facto de ter sido nomeado para arbitrar uma final nacional de juniores ou ter sido nomeado para arbitrar jogos oficias com equipas da liga profissional, entre outros.

Piores momentos, apesar de ser difícil alguns leitores não compreenderem, não tenho nenhum momento mais complicado que possa destacar. Passo a explicar, apesar das “bocas” que ouvimos das bancadas, dos bancos, dos jogadores, são reacções normais do ser humano, cada um procura o melhor para si e para a sua equipa. Normalmente digo que os meus melhores jogos são aqueles em que o pavilhão está quase lotado e eu chego ao fim do jogo e não me lembro de ouvir qualquer “boca” da bancada, pois limito-me a ficar concentrado no jogo a a arbitrar o melhor para o jogo.

Como vê a evolução da arbitragem? Principalmente na atracção para novas pessoas se dedicarem a esta área do jogo.

A arbitragem nacional, felizmente, está dotada de grandes árbitros. Estamos a evoluir no melhor sentido, contudo espero que não regrida por falta de condições financeiras.

Não é facil arranjar atracções para aproximar as pessoas a este meio. Neste aspecto, alguns clubes têm tido um papel particularmente importante na angariação de novos juízes, que tal como eu, antes de tirar o curso, fazem os jogos onde não comparecem árbitros. Na minha opinião, sou de acordo que os clubes devem tentar motivar as pessoas a seguir por este caminho, porque são estes que convivem diáriamente com esses potenciais juízes. Claro que a associação terá também um papel importante na formação e acompanhamento dessas pessoas.

E como vês o actual estado da arbitragem na Associação de Basquetebol de Aveiro?

Já teve dias piores. A arbitragem no distrito está a evoluir positivamente, e esperemos que a curto/médio prazo tenha mais árbitros no escalão máximo (1ª categoria). Porque a formação dos mais jovens também passa por aí. Tem que existir árbitros que actuem ao mais alto nível para poderem passar a experiência e o conhecimento aos mais novos, para que estes possam subir para os mesmos patamares.

Não pensas que os árbitros quando realizam jogos de formação deviam ter um papel mais activo na evolução do jovem jogador?

Eu tenho a certeza disso, o papel do árbitro é essencial na carreira dos jogadores mais novos. Claro que os juízes não são todos iguais, uns falam mais do que outros. É necessário reter que um árbitro não pode ir para o campo dar “palestras”, mas convém falar com os intervenientes (jogadores e treinadores), explicar com pequenas frases ou gestos o porquê de ter ou não arbitrado uma falta, uma violação. Esta é também uma forma de criar empatia com os intervenientes, e claro se existir uma relação de confiança e respeito entre todos os elementos no jogo é com normalidade que quem ficará a ganhar é o jogo de basquetebol.

E qual a tua opinião sobre senão devia haver uma maior comunicação entre os elementos da arbitragem e os treinadores/directores de equipas de maneira em conjunto criarem um melhor ambiente de evolução da modalidade?

Concordo que deve haver mais comunicação entre árbitros e treinadores/directores. Não só dentro do campo, mas também fora deste. Por exemplo, na minha opinião deveria haver no ínicio de cada época uma reunião em que estivessem envolvidos os treinadores e árbitros com o intuito de transmitir os critérios a utilizar na época.

Contudo, é verdade que os ábitros devem conhecer o jogo, conhecer as tácticas, conhecer determinadas técnicas que os jogadores utilizam. Mas existem também muitos treinadores com grandes lacunas quanto ao conhecimento das regras. Estes aspectos combinados dificultam uma maior aproximação entre juízes e treinadores. Mais importante ainda é haver respeito mútuo pelas funções que cada um desempenha, só assim poderemos evoluir no bom sentido.

Quais são os teus objectivos na arbitragem? Simplesmente um hobbie/part-time ou pretendes seguir mais em frente?

Nunca encarei a arbitragem como um hobbie, tento encará-la sempre com o máximo de profissionalismo. Em relação aos objectivos posso adiantar que tenho vários objectivos, um dos quais passa por subir à 1ª categoria, depois disso, pensar passo a passo.

Mas mais importante do que subir, é o facto de chegar ao fim de cada jogo e ter a certeza que dei tudo aquilo que tinha para dar. Embora tenha a consciência que existem dias menos bons, tal como os jogadores os têm.

Que mensagem gostarias de deixar aos mais jovens que se iniciam na arbitragem?

Não é fácil ser árbitro, como não é fácil ser jogador ou treinador. Acreditem que, se optarem pela arbitragem, passam a ver o jogo de outra forma porque também temos um nome e uma imagem a defender e tudo o que for de menos positivo acaba por passar, graças ao espírito de camaradagem que existe no seio da arbitragem.

 

Questões Rápidas

Um ídolo na arbitragem:

Carlos Araújo, nome desconhecido para muitos, pois já não actua à mais de uma década.

Um jogo/momento marcante:

Arbitrar a final do campeonato Nacional de Juniores.

Uma atitude que gostas de ver num jogador ou treinador perante uma decisão de um árbitro:

Independentemente da atitude, independentemente do árbitro ter errado ou não, deve existir sempre respeito de ambas as partes.

Um sonho na arbitragem:

Ser árbitro internacional.

Uma história curiosa que te tenha acontecido enquanto árbitro:

São várias. Como por exemplo, um rapaz foi ver um jogo onde eu estava a arbitrar, em Ovar, e não é que se vai sentar no banco de suplentes (vestido com roupa normal e boné) para ver o jogo! E nisto o oficial de mesa, olhou e viu que estava alguém para entrar no jogo e parou o cronómetro para dar substituição. Nisto, quando nos apercebemos do sucedido, foi uma gargalhada geral no pavilhão. Coitado é do rapaz que ouviu poucas e boas do oficial de mesa.

 

Agradecemos mais uma vez a disponibilidade do Paulo Fidalgo em responder a esta entrevista, esperando que as opiniões aqui emitidas sejam úteis para reflexões que permitam melhorar o nosso basquetebol.

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One Comment em “Entrevista ao Árbitro Paulo Fidalgo”

  1. Paulo Augusto Says:

    Quantos juízes fazem a arbitragam de um jogo de basquete?


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